Estas duas imagens há algum tempo veem sendo
compartilhada nas redes sociais por muitas pessoas, creio que, com o intuito de
problematizar nossas concepções e práticas sociais/educacionais, as quais
merecem algumas considerações.
É importante compreender que nossas concepções de
homem/mulher, de mundo, de sociedade, não se configuram como um simples
conjunto de opiniões ou ideias natas, mas, como resultado de processos políticos
e sociais.
Portanto, como educadores, talvez mais do que
qualquer outra pessoa ou profissional, precisamos refletir sobre a “genealogia
de nossos pensamentos”.
Atualmente, se propuséssemos um debate entre
professores a partir da primeira imagem, a qual nos remete à discussão sobre
avaliação, suponho que, sem exceção, concordariam que ela não revela uma
situação de justiça. Contudo, se fossemos observar o cotidiano de uma escola, constataríamos
que, com raras exceções, os professores continuam a avaliar seus alunos através
de instrumentos padronizados.
Assim seria semelhante se debatêssemos a
segunda imagem, o que neste caso nos conduziria para reflexões a cerca das
práticas didático-pedagógicas; creio que todos discorreriam sobre a importância
de considerar as diferenças existentes num ambiente de aprendizagem, porém, ainda
constatamos aulas expositivas, focadas na lista de conteúdos com tempos
definidos.
A pergunta que necessita de respostas: onde
reside a contradição, por que insistimos em manter o status quo? Podemos tecer
inúmeras hipóteses, mas entre elas arrisco afirmar que o problema é que o
currículo escolar está organizado para que as práticas pedagógicas sejam centradas
no ensino e não na aprendizagem.
Nesse sentido, é também importante registrar
que nós professores, somos fruto da escola de massa, nascida na revolução
industrial, mas que chegou ao século XXI quase que intacta. No caso brasileiro,
temos como marco a reforma educacional da década de 70, a qual instituiu um
currículo fragmentado, utilitarista e excludente. Portanto, também fomos e
somos influenciados pela ideologia dominante.
Logo, é urgente (re) pensarmos nosso entendimento
sobre a aprendizagem, sobre a dimensão do conceito de equidade, sobre nossa
concepção de educação, sobre a função social da escola, sobre o sentido de
nosso próprio trabalho, pois é ele (o trabalho) segundo Marx que produz a vida
humana, pois é a primeira mediação entre o homem e a realidade material e
social.
Nós professores que temos como objeto de
trabalho a construção do conhecimento, apesar de constituídos também por
processos alienantes, possuímos o dever de ir além do senso comum, de
desconstruir paradigmas e superarmos o currículo ideologizado.
Sintetizo o grande desafio dos educadores do
século XXI numa frase de Boaventura e que traduzem as duas imagens trazidas para
a reflexão: “Lutar pela igualdade sempre que as diferenças nos discriminem lutar
pelas diferenças sempre que a igualdade nos descaracterize”.

.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário