Por muito tempo
acreditei que a escola era o único espaço de construção do conhecimento, mas ao
longo da caminhada, a partir de leituras e experiências, me propus a iniciar um
processo de desconstrução, primeiro, porque precisamos rever os desenhos em
nosso imaginário sobre o que é a escola, segundo, porque se faz necessário
redimensionarmos nossa concepção de conhecimento.
“Há escolas que são gaiolas e há escolas que
são asas”, Rubem Alves. Essa metáfora nos anuncia a escola comprometida com a
vida e a formação integral do sujeito, ao mesmo tempo em que faz a denúncia do
sistema educacional vigente. Somos em grande parte estes pássaros engaiolados,
os quais conheceram os limites das grades de um espaço reduzido, acreditando
que este é o único lugar possível de existir. E que ingerimos somente o
alimento que nos dispunham, nem imaginando como seria buscar nosso próprio
alimento na imensidão da natureza.
Aproprio-me da forma
poética de Rubem Alves não para romancear a concepção de Educação, ou
desconsiderar as condições (ou falta de) concretas em que se produzem os
processos educativos, ou que estes sejam desprovidos de tensões, conflitos e
disputas. Mas para provocar um novo olhar sobre velhos dilemas. Ainda creio que
a escola é uma instituição indispensável, e que possui uma função social, mas a
organização curricular que perdura há séculos, fundamentado a partir do
racionalismo positivista-empirista, não privilegia a construção de conhecimento
com vistas à emancipação humana e capacidade de intervenção sobre a realidade. Isto
porque a ideologia hegemônica exerce ainda grande poder sobre as estruturas educacionais.
Repensar a escola
requer pensar sobre o sistema econômico e político, discutir sobre políticas
públicas, em síntese, ter claro qual o projeto de sociedade que nos mobiliza. Neste
sentido, podemos nos subsidiar em Appel, o qual reflete sobre os efeitos do
neoliberalismo e neoconservadorismo sobre a Educação, ou em Edgar Morin, um
pós-crítico que nos problematiza com os conceitos de complexidade, Era
Planetária e transdisciplinariedade.
Dialogar com diferentes
abordagens teóricas para (re) inventar a escola, configura-se talvez no desafio daqueles
que buscam superar os conceitos tidos como verdades absolutas. Por isto ao
invés de utilizar as expressões “escola ideal” ou “escola dos sonhos”, prefiro
a expressão “uma outra escola é possível”, na qual seus sujeitos exercitem a
democracia participativa; em que a pesquisa, a interdisciplinaridade sejam
princípios metodológicos e epistemológicos do projeto educativo, no qual os
processos valham mais que os resultados,
que a construção da autonomia seja meta; que a potencialidade das crianças e
jovens sejam consideradas, e que estes conquistem de fato, o instrumentos necessário para intervir
na realidade: o conhecimento!
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